A  Câmara Brasileira da Construção (CBIC) apresentou, em fevereiro de 2021, dados inéditos em um estudo encomendado pela entidade, demonstrando o efeito prolongado da construção sobre a atividade econômica. Esse estudo reforça um paradigma que se transformou em bandeira institucional da ADEMI DF: precisamos acabar com a burocracia nas aprovações de novos parcelamentos urbanos, projetos de arquitetura, na emissão de alvarás e habite-se no DF

Por Paulo Roberto de Morais Muniz

Isso estimulará o desenvolvimento urbano ordenado, construções seguras e legalizadas, proporcionando arrecadação de tributos estaduais, federais e contribuições previdenciárias, bem como a geração e pulverização de novos postos de trabalho. Estima-se que para cada emprego formal na construção civil são gerados outros de 3 a 4 postos de trabalho indiretos na sua cadeia produtiva.

A produção de imóveis habitacionais no Brasil, hoje, é fruto, em sua totalidade, de investimento privado. Os subsídios do governo federal para a construção de imóveis populares são irrisórios. A falta de recursos públicos para habitação alcança também o GDF, consolidando a importância da iniciativa privada na tarefa de oferecer e garantir moradia digna a população.

O estudo “Pós-obra: Geração de Emprego e Renda na Economia”, coordenado pela assessora econômica da CBIC, Iêda Vasconcelos, mostra que, além de toda geração de riquezas que uma construção legalizada gera em toda a cadeia produtiva, o mercado imobiliário – especialmente no segmento residencial – tem grande impacto pós-obra: nosso mercado continua a gerar empregos, renda e tributos nos três anos seguintes à entrega do imóvel a seus proprietários. É o período em que o comprador e suas famílias vão preparar suas casas para habitar ou outro uso – como a locação, por exemplo.




Devemos destacar do quadro acima, que para cada R$ 1 milhão investido na construção residencial, são gerados 3,31 empregos, e 36% do custo da construção são gastos nos próximos três anos após a entrega das chaves da moradia. Realizadas pela ECCONIT Consultoria Econômica, as pesquisas se basearam em informações de novos domicílios entre os anos 2018 e 2019, a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), na distribuição de residências por faixa de renda, preço dos imóveis (alto e médio padrões e populares).

Buscando informações com especialistas nas atividades pós-obra, foi revelado que pela média, esses gastos correspondem a 25%, 15% e 10% dos valores dos imóveis respectivamente, nos três anos após o recebimento do imóvel.

São gastos com obras nas habitações novas: decoração; móveis planejados e mobiliário; cama, mesa e banho; eletrodomésticos e eletroeletrônicos; entre outros. Lembrando mais uma vez que, tanto na produção dos imóveis residenciais, quanto no pós-obra, são investimentos de capital privado na sua totalidade.

Temos uma triste realidade no Brasil, onde o déficit habitacional foi de aproximadamente 6 milhões de moradias em 2019. Em Brasília não é diferente. Em contrapartida, temos uma burocracia excessiva em todo o país e, mais uma vez, o DF repete o panorama nacional: há cinco anos, a conquista de uma habite-se levava até três anos e somávamos mais de 15 mil unidades aguardando a liberação; um projeto de arquitetura levava mais de dois anos para ser aprovado; um projeto de parcelamento urbano levava mais de 20 anos.

Em paralelo, temos espalhados por todo o Distrito Federal parcelamentos e construções ilegais, proporcionando uma evasão de divisas, pulverizando empregos informais e perda de qualidade de vida incalculáveis. A ADEMI DF luta contra a ilegalidade desde sua fundação, entendendo que todos perdem a cada tijolo assentado de forma irregular no DF.

Em 2020 notamos uma melhora nessa burocracia aqui no DF, mas temos muito que melhorar. Sabemos que o atual governo do Distrito Federal está focado para superarmos outros desafios ainda na atual gestão. Os números acima, por si só, demostram o quanto é importante a desburocratização, o estímulo à formalidade e o incentivo na construção de novas moradias no país, para o crescimento da economia nacional, com desenvolvimento social pela maior inclusão da população. Esse é o cenário que desejamos também para o DF.

*Paulo Roberto de Morais Muniz é engenheiro civil, presidente do CODESE DF e Conselheiro da ADEMI DF.
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Da redação

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