"Ter lipedema é saber que você vai ter hematomas do nada": caso de Yasmin Brunet coloca doença em evidência

 

Foto: Instagram

Modelo e ex-BBB compartilhou imagens de manchas roxas nas pernas causadas pela condição. Especialista em cirurgia vascular explica os sintomas, o diagnóstico tardio e os caminhos de tratamento

A modelo e ex-BBB Yasmin Brunet voltou a chamar atenção para o lipedema nesta semana ao compartilhar, nas redes sociais, imagens de hematomas nas pernas causados pela doença. "Ter lipedema é saber que você vai ter hematomas do nada", desabafou a modelo. "Não é fácil, mas estou aprendendo a lidar com isso", completou.

O relato de Yasmin, que revelou o diagnóstico durante o BBB 24 e desde então mudou alimentação e rotina de exercícios para controlar os sintomas, escancarou uma realidade vivida por milhões de brasileiras. O lipedema afeta 12,3% da população feminina no Brasil, segundo o Consenso Brasileiro de Lipedema (2025), e ainda é amplamente subdiagnosticado.

Para o cirurgião vascular Dr. Herik Oliveira, especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), o lipedema ainda é amplamente confundido com outras condições. "É uma doença crônica e progressiva, de origem hormonal, que se manifesta predominantemente em mulheres, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e quadris, acompanhado de dor, sensibilidade e hematomas espontâneos. O acúmulo de gordura ocorre de forma simétrica, bilateralmente, e não responde ao emagrecimento convencional, o que frequentemente leva ao diagnóstico equivocado de obesidade ou linfedema", explica.

Reconhecida pela Classificação Internacional de Doenças (CID) apenas em 2022, a condição afeta milhões de mulheres no Brasil e no mundo, muitas delas sem diagnóstico.

O especialista ressalta que há um detalhe clínico importante para diferenciar o lipedema de outras condições. "Uma característica fundamental é que, diferentemente de outras causas de inchaço, o lipedema poupa o pé. Isso é um sinal valioso no diagnóstico diferencial", destaca Herik.

O cirurgião vascular comenta que os hematomas espontâneos, como os mostrados por Yasmin Brunet, são um dos sintomas mais marcantes da doença. "Eles surgem porque  há uma inflamação crônica no tecido adiposo afetado é mais frágil e sensível, com vasos sanguíneos que se rompem facilmente mesmo sem trauma aparente. São uma consequência direta da fragilidade vascular associada ao lipedema e indicam que o quadro inflamatório está ativo, precisando ser monitorado e tratado adequadamente", esclarece.

Após o diagnóstico, Yasmin Brunet adotou mudanças alimentares, como a retirada do glúten e redução da lactose, e passou a praticar exercícios físicos diariamente, o que resultou em perda de 8 kg em dois meses e redução da inflamação.

Para o Dr. Herik, o tratamento deve ser individualizado. "O exercício físico orientado, a alimentação anti inflamatória, o uso terapia  compressiva, medicações antioxidantes,  controle  do peso ,tecnologias para melhorar gordura, flacidez e celulite e, em casos mais avançados e selecionados procedimentos cirúrgicos são os principais pilares do tratamento. O mais importante é que a paciente não enfrente isso sozinha, pois o acompanhamento médico especializado faz toda a diferença", afirma.

O especialista também reforça a importância de não normalizar os sintomas. "Muitas mulheres convivem anos com dor, inchaço e hematomas achando que é normal ou que é culpa delas. Não é. O lipedema é uma doença crônica e tem tratamento", conclui.


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