José Aparecido defende menos burocracia e maior participação do setor produtivo nas decisões públicas

Presidente do Sistema Fecomércio-DF destaca expansão de serviços do Sesc e Senac, cobra qualificação profissional e comenta pautas nacionais que afetam comércio e serviços


Da experiência atrás do balcão de uma papelaria à representação de milhares de empresas do Distrito Federal, José Aparecido da Costa Freire construiu uma trajetória marcada pelo empreendedorismo e pela atuação associativa. Presidente do Sistema Fecomércio-DF e vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ele defende que o desenvolvimento econômico de Brasília passa pela redução da burocracia, pela qualificação profissional e por uma participação mais ativa dos empresários nas decisões públicas.

Em entrevista ao Empreender Brasília Podcast, José Aparecido falou sobre sua trajetória, os desafios enfrentados pelo comércio e pelo setor de serviços e temas que ocupam o debate econômico nacional, como mudanças na escala de trabalho e a tributação de compras internacionais.


Nascido em Corumbá de Goiás, Aparecido chegou a Brasília ainda criança e cresceu em Braslândia. Antes de se consolidar como empresário, trabalhou desde cedo com o pai e realizou diferentes atividades para conseguir o próprio dinheiro. Mais tarde, ingressou no ramo de papelarias e abriu, em 1988, sua primeira loja na Asa Norte.

A experiência empresarial acabou levando à representação do setor. A trajetória passou pelo Sindicato do Comércio Varejista de Papelarias e Livrarias do Distrito Federal (Sindipel) e chegou à presidência da Fecomércio-DF. Para Aparecido, representar empresas significa também atuar em defesa da geração de emprego e do crescimento econômico.

Burocracia e qualificação entre os desafios
Entre os obstáculos ao desenvolvimento empresarial no Distrito Federal, o dirigente aponta questões como burocracia, mobilidade urbana, acesso ao crédito e falta de mão de obra qualificada.

Na avaliação de Aparecido, o poder público deve avançar especialmente na regularização de atividades e na criação de segurança jurídica para quem pretende investir. Ao mesmo tempo, ele considera que os próprios empresários precisam participar mais das entidades representativas e das discussões coletivas.

A falta de profissionais preparados para as vagas disponíveis aparece como uma das principais preocupações. Durante a entrevista, Aparecido afirmou considerar atualmente mais difícil para o empresário encontrar um trabalhador preparado para ocupar determinada vaga do que para o jovem encontrar uma oportunidade.


Nesse cenário, o Senac aparece como uma das ferramentas do Sistema Fecomércio para aproximar qualificação e mercado de trabalho. Segundo o dirigente, cursos ligados à tecnologia e inovação apresentam forte procura, em um momento no qual inteligência artificial, automação e digitalização transformam diferentes atividades econômicas.
Serviços chegam às regiões administrativas

Outro eixo destacado por Aparecido é a descentralização das atividades do Sistema Fecomércio. A estratégia envolve levar ações culturais, esportivas, educacionais e de capacitação para regiões administrativas fora do centro de Brasília.

Segundo ele, eventos realizados em cidades como Planaltina, Ceilândia e Gama não cumprem apenas uma função cultural ou de lazer. A movimentação de público também gera impacto sobre restaurantes, bares, lojas, salões de beleza e outros estabelecimentos locais.

A proposta é utilizar a estrutura do Sesc e do Senac para aproximar serviços da população e, simultaneamente, estimular as economias locais.

Debate nacional
Como integrante da direção da CNC, José Aparecido também participa das discussões nacionais que afetam comércio, serviços e turismo. Entre os assuntos abordados durante a entrevista estiveram a proposta de mudança da escala 6x1 e a tributação de produtos adquiridos em plataformas internacionais.

Sobre a jornada 6x1, Aparecido defendeu uma discussão mais aprofundada sobre os impactos econômicos de uma eventual mudança. Para ele, alterações dessa dimensão precisam considerar os custos para empresas e para o próprio poder público, inclusive em contratos terceirizados.

O dirigente também se posicionou em defesa da tributação das compras internacionais como forma de reduzir a diferença de tratamento entre empresas instaladas no Brasil e produtos importados. Segundo ele, a concorrência das plataformas estrangeiras afeta a competitividade do comércio e da indústria nacionais.

A participação nas discussões nacionais tende a ganhar ainda mais peso. Na entrevista, Aparecido afirmou que integrava uma chapa única para a eleição da CNC e que, mantida a composição, passaria à condição de segundo vice-presidente da entidade. Para ele, a posição representa não apenas uma conquista pessoal, mas maior espaço para Brasília e para a Fecomércio-DF no debate nacional.
Empresário precisa ser ouvido

Ao falar sobre o legado que pretende deixar, José Aparecido resumiu uma das ideias que atravessaram a entrevista: ampliar o diálogo entre poder público e setor produtivo.

Para ele, empresários precisam ser mais ouvidos nas decisões que afetam a economia e o ambiente de negócios. Ao mesmo tempo, defendeu que o setor empresarial abandone uma postura exclusivamente de cobrança e participe mais das entidades e dos debates sobre os rumos da cidade.

Depois de mais de três décadas de atuação empresarial e de uma trajetória que chegou à direção da Fecomércio-DF e da CNC, Aparecido coloca essa aproximação entre iniciativa privada, entidades representativas e poder público como parte central do desenvolvimento econômico que pretende estimular em Brasília.


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