
A reeleição de Lula da Silva para seu quarto mandato inaugura um período marcado por grandes expectativas e forte polarização política. A vitória consolidou a continuidade do projeto que vem sendo executado desde 2023, mas também trouxe para o centro do debate a necessidade de responder às críticas acumuladas ao longo das gestões anteriores. Entre os apoiadores, prevalece a expectativa de ampliação das políticas sociais até aqui implementadas. Entre os críticos, contudo, sobeja a cobrança por eficiência fiscal e resultados concretos.
Em tese, o novo mandato foi conquistado com base em iniciativas que fortaleceram programas de transferência de renda, recuperação de investimentos públicos em áreas estratégicas e preservação de políticas voltadas à educação e à saúde. Os defensores sustentam que a administração conseguiu preservar instrumentos de proteção social mesmo em um cenário internacional complexo. Também destacam avanços em obras de infraestrutura e a busca por maior protagonismo do Brasil em fóruns internacionais e em negociações multilaterais.
Por outro lado, há pontos negativos mostrados por analistas e setores da oposição que continuam relevantes. Entre eles, destacam-se: descontrolado crescimento das despesas públicas, travas burocráticas inibidoras de investimentos privados nacionais e estrangeiros, insaciável apetite tributário, desatenção acentuada à educação e alta tolerância à criminalidade. Ademais, há notável desarmonia entre os poderes Legislativo e Executivo e intolerável compadrio e submissão ao poder Judiciário, em especial ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O maior desafio da próxima gestão executiva será conseguir conciliar a sua propalada preferência pelas ações de benemerência com a responsabilidade orçamentária. O governo federal parece não se dar conta de que a expansão dos “gastos sociais” encontra limites bem definidos pelas regras fiscais. Parte das promessas de campanha depende não apenas da vontade política do governo, mas também da capacidade de negociação com o Congresso Nacional, da arrecadação dos tributos e do desempenho geral da economia brasileira.
Como exemplo, o prometido passe livre de ônibus nos finais de semana, citado pela esquerda nas discussões sobre mobilidade urbana, para que seja implementado em âmbito nacional, dependerá de robusto arranjo orçamentário federal, já que o transporte coletivo é majoritariamente administrado por estados e municípios. Medidas desse porte sempre enfrentam resistência técnica, porque dependem de aumento da arrecadação. O cenário atual não o favorece. Ao que tudo indica, as promessas de campanha, se entregues, o serão a conta-gotas.
Independentemente das inevitáveis discussões sobre legitimidade, o quarto e último mandato de Lula, aos seus 81 anos, será julgado não pelas promessas, mas sim pela capacidade que demonstrará de transformá-las em resultados mensuráveis. O governo já detém experiência política e base social, agora terá de promover equilíbrio fiscal e crescimento econômico. Isso, porém, só virá com diálogo institucional, eficiência de gestão e controle das contas públicas. Não será fácil! A prática exigirá rigoroso planejamento e definição de prioridades.
João Teodoro da Silva
Presidente – Sistema Cofeci-Creci – 31/OUT/2026


