Distritais da base do governo e de oposição expressaram avaliações díspares sobre as pautas defendidas pelos manifestantes e sobre o discurso do presidente Bolsonaro

Fotos: Renan Oliveira.

A manifestação realizada em Brasília, convocada pelo presidente da república, no feriado de 7 de setembro foi o principal tema debatido pelos deputados distritais na sessão ordinária desta quarta-feira (8). Para Leandro Grass (Rede), foram "cenas aterrorizantes". Chico Vigilante (PT) avaliou que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade, enquanto Fábio Felix (Psol) criticou "o uso do aparato presidencial". Já Hermeto (MDB) elogiou a atuação da PM. Júlia Lucy (Novo) defendeu o direito de manifestação chamando a atenção para o papel dos representantes eleitos. E Delmasso (Republicanos), que esteve na Esplanada dos Ministérios, disse que "o presidente, em alguns pontos, tem razão".

Vigilante e Felix criticaram duramente as atitudes de Bolsonaro durante a manifestação. "É o arruaceiro mor", resumiu o primeiro, salientando a "invasão" de caminhões na noite anterior ao ato, que furaram o bloqueio policial montado na Esplanada. Ele considerou que, no pronunciamento, o presidente "ultrapassou todos os limites" ao anunciar que não respeitará decisões judiciais. Felix analisou que a manifestação foi um lugar para "o autoritarismo e palco de apologia à corrupção". Também evidenciou o que chamou de "incapacidade de governar": "A população passa fome e o presidente não tem coragem de falar dos problemas do país".

O deputado Leandro Grass (Rede), além de frisar a "cortina de fumaça para esconder a afronta à democracia, o golpismo e a corrupção", destacou o crescimento da pobreza em todo o Brasil nos últimos dois anos, sendo o Distrito Federal a unidade da federação onde o aumento se deu de forma mais intensa, um índice de 8%. Na avaliação dele, isso se deve "à ausência de uma política de desenvolvimento econômico" por parte do governo Ibaneis. "Faltam iniciativas de apoio e incremento, além de criatividade e liderança", declarou.

Por sua vez, o líder do governo na CLDF, deputado Hermeto, ressaltando o trabalho do setor de segurança antes e durante a manifestação, elogiou especialmente a atuação da Polícia Militar. "Os policiais, como os demais servidores públicos, servem ao Estado e agem conforme a Constituição", afirmou. Segundo ele, a invasão de caminhões na véspera do ato se deu pela quebra de acordo que os organizadores haviam firmado com o GDF. O parlamentar ainda ratificou a presença do governador no Distrito Federal, "acompanhado tudo", ante informações veiculadas sobre uma viagem de Ibaneis.

A deputada Júlia Lucy tratou da legitimidade de manifestação e sobre o direito de opinar. Contudo, reforçou a necessidade de os agentes públicos, principalmente, os eleitos observarem os preceitos constitucionais. "Como assim, não vai cumprir ordem judicial? Todos nós temos de cumprir, concordando ou não", insistiu, referindo-se às declarações do presidente. "Muita gente foi às ruas protestar contra o que considera excesso do judiciário, mas, nós políticos não podemos atacar aquilo que é a base da Constituição", acrescentou.

Relatando o que viu durante o ato, o deputado Delmasso comemorou o fato de a manifestação ter ocorrido de forma pacífica e sem que fosse registrado qualquer dano ao patrimônio. Para ele, a pauta do evento tinha como temas a liberdade de expressão, o combate ao ativismo político e a harmonia entre os poderes da república, ponto que enfatizou ao analisar o discurso de Bolsonaro. "No fundo, ele tem razão", declarou, convidando os colegas a procederem uma reflexão sobre a atuação do STF.
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Rainne Del Sarto

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