Junto com o vigor típico dos mais jovens, nova geração de empresários trazem consigo visões de administração diferentes, algumas até consideradas ousadas



Dados do Sebrae apontam que a idade média do empreendedor brasileiro é de 44,7 anos. Porém, há bom tempo essa idade vem caindo e o perfil do empresário brasileiro tem sido cada vez mais jovem. Segundo levantamento da consultoria internacional Monitor Global do Empreendedorismo (GEM), os empreendedores jovens no Brasil dobraram de 2009 até 2019. Atualmente, dos cerca de 24 milhões de brasileiros na faixa etária de 18 e 24 anos, 8 milhões já possuem o seu próprio negócio. Conforme esse mesmo levantamento, quase metade dos empreendedores brasileiros (49%) têm entre 25 e 44 anos.

Segundo especialistas, junto com o vigor típico da juventude, novos empresários trazem consigo novas visões de administração. O engenheiro civil Andreyve Melo e o administrador de empresas Gabriel Caixeta tinham 25 anos quando, há seis anos, decidiram fundar a Skyline Inovação e Produções, empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais para empresas do mercado imobiliário. Os dois fazem parte de uma nova geração de empreendedores que começa a trazer novos conceitos de gestão, que hoje podem até parecer ousados pela maioria dos empresários no Brasil, mas seguramente já são tendência em fortes marcas gigantes como Google, Facebook e LinkedIn.

Imagine você chegar para uma entrevista de emprego e ao entrar na empresa dá de cara com uma mesa de sinuca e outra de pebolim (ou totó); no lugar de uma recepção fria e formal você encontrar uma sala a com pufes e enormes poltronas para relaxar e ler o que quiser; as posições de trabalho são todas coloridas e decoradas bem ao estilo de quem as usa, com fotos, bonecos e até brinquedos; e mais, na copa da empresa muitas guloseimas e uma geladeira cheia de suco, refrigerante e cerveja.

A descrição acima traz um pouco do que você irá encontrar na Skyline dos jovens empresários Gabriel Caixeta e Andreyve Melo, que têm como uma das principais premissas de sua gestão o foco no bem-estar da equipe. Para eles, investir num ambiente de descompressão com espaço para o colaborador descansar e até se distrair um pouco, não é uma simples benécia, mas sim uma estratégia para conseguir mais produtividade do funcionário.

Por produtividade
Mas é claro que não é apenas o ambiente jovem e descontraído que tem levado a empresa a uma alta produtividade. Os benefícios oferecidos pela Skyline vão além do local de trabalho descolado. Os colaboradores são todos contratados em regime celetista (com carteira assinada), mas além do salário fixo, eles também ganham por produtividade, e não há cobrança de horários fixos.

De acordo com Gabriel Caixeta, o ambiente descontraído e de liberdade nunca comprometeu a cobrança e o cumprimento de metas. “Como cada colaborador tem participação financeira nos projetos que são entregues, todos se engajam de verdade. Afinal, eles sabem que quanto melhor a produtividade, melhores serão os seus próprios ganhos financeiros. Já tivemos aqui casos de colaboradores que chegaram a triplicar o valor do seu salário base no fim do mês”, esclarece Gabriel.

Estímulo
De acordo com Andreyve Melo, oferecer um ambiente de trabalho descontraído é importante para o negócio da Skyline e vai muito além de proporcionar conforto à equipe. “Estudos já comprovaram que ambientes de descompressão na empresa estimulam não apenas o bem-estar dos funcionários, mas a criatividade, reduz significativamente o nível de estresse e fortalece a conexão entre as pessoas, fortalecendo o trabalho em equipe. Todos esses aspectos agregam muito na disposição do colaborador, e consequentemente na produtividade da empresa, que no nosso caso, nunca teve problema em bater metas”, esclarece Andreyve. Além do bônus por produtividade, a empresa também dispõe de recursos para financiar cursos para seus colaboradores e recentemente passou a disponibilizar plano de saúde para seus funcionários.

De acordo com Andreyve e Gabriel, a manutenção desse ambiente de trabalho leve, de descompressão e altamente produtivo passa pelo acompanhamento de métricas e pelos feedbacks que são feitos individualmente com cada colaborador.

Eles explicam que esses momentos de retorno e devolutiva dos funcionários é sempre feito num formato de um bate-papo, sem a típica, e muitas vezes incomoda, formalidade que se tem nas empresas mais tradicionais. “O objetivo dos feedbacks mensais é, basicamente, avaliar como está o clima da empresa, a sinergia do time, detectar anomalias nos processos e comportamentos, saber como o colaborador está pessoalmente, se ele está vivendo um momento difícil ou não, e se a empresa pode ajudar”, explica Gabriel.

Mudança de cultura
Andreyve Melo e Gabriel Caixeta reconhecem que a proposta de gestão que adotam em sua empresa pode ser considerada ousada, se comparada com a esmagadora maioria das empresas brasileiras, que ainda adota uma filosofia empresarial ainda bastante conservadora.

Mas eles avaliam que o ambiente proporcionado na Skyline será muito em breve uma tendência comum na grande maioria das empresas, pelo menos as que buscam alto nível de produtividade. “Eu vejo que nesse segmento de tecnologia, de inovação, de áudio-visual, que é o que atuamos, as empresas geralmente trazem esses ambientes mais descontraídos e eu acredito que isso é sim tendência para outros setores. Grandes empresas fora do Brasil já seguem esse modelo há algum tempo. Então é uma questão de mudança de cultura que começa a ocorrer”, salienta Gabriel.
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Walter Britto

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