Estudos mostram que o bilinguismo na primeira infância impacta habilidades cognitivas além da fluência
O número de escolas bilíngues no Brasil já ultrapassa 2,5 mil e cresce mais de 10% ao ano na última década, segundo dados da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (ABEBI). O avanço acompanha uma mudança no perfil das famílias, que passaram a priorizar não apenas o aprendizado de um segundo idioma, mas o desenvolvimento cognitivo desde os primeiros anos de vida.
No Dia Mundial da Educação, celebrado em 28 de abril, data que marca o compromisso de 164 países com o direito universal à educação de qualidade, especialistas reforçam que o ensino bilíngue deixou de ser um diferencial para se tornar uma escolha estratégica para o desenvolvimento infantil.
Pesquisas em neurociência mostram que crianças expostas a dois idiomas desde a primeira infância desenvolvem maior plasticidade cerebral, melhor controle de atenção e habilidades cognitivas que se estendem para muito além do domínio da língua. Soma-se a isso um cenário global cada vez mais interconectado, em que o inglês deixou de ser um diferencial curricular para se tornar uma competência básica.
“O ensino bilíngue, quando bem estruturado desde a primeira infância, não apenas forma crianças fluentes em outro idioma, forma crianças com maior capacidade de aprender, adaptar e se expressar em qualquer contexto”, afirma Raquel Nazário, diretora regional da Maple Bear Brasília, escola bilíngue com metodologia canadense.
Crianças bilíngues tendem a apresentar:
* maior flexibilidade cognitiva e capacidade de resolver problemas
* melhor desempenho em tarefas que exigem foco e controle de atenção
* mais facilidade para aprender um terceiro idioma no futuro
* ampliação do repertório cultural e da competência intercultural
Não basta oferecer aulas de inglês. Especialistas destacam que o impacto real do ensino bilíngue depende da forma como o idioma é integrado ao cotidiano escolar. Imersão, interação e uso real da língua em situações significativas são elementos essenciais para que a criança desenvolva fluidez de forma natural, sem decorar regras gramaticais.
“A criança aprende a língua do mesmo jeito que aprendeu o português: vivendo, interagindo, errando e tentando de novo. Quando o ambiente escolar oferece isso de forma consistente e acolhedora, o inglês deixa de ser uma matéria e passa a ser uma forma natural de estar no mundo”, explica Raquel Nazário.


