Estabelecimentos projetam aumento no movimento, novas contratações e crescimento do faturamento durante a temporada
A chegada do inverno marca o início de um dos períodos mais importantes para bares e restaurantes localizados em destinos turísticos de frio. Em regiões como a Serra Gaúcha, a Serra da Mantiqueira e a Serra Catarinense, o aumento no fluxo de visitantes impulsiona o setor de alimentação fora do lar e fortalece a economia local.
Para empresários, a temporada é marcada pelo crescimento da demanda por pratos típicos, ambientes acolhedores e experiências gastronômicas ligadas à cultura regional. O cenário acompanha uma tendência observada pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), que destaca a importância da gastronomia como atrativo turístico em diversas regiões do país.
Fondue e vinhos movimenta a temporada em Gramado
Em Gramado/RS, um dos principais destinos turísticos de inverno do Brasil, a gastronomia ocupa papel central na experiência dos visitantes. No restaurante Belle Vitrine, o fondue lidera as vendas durante todo o ano, mas ganha ainda mais destaque nos meses frios. “A venda de fondue predomina na nossa casa, é em torno de 80% no verão e mais de 90% no inverno”, afirma o proprietário Ronildo Silveira Barth.
Embora o fondue seja o carro-chefe, a casa também oferece grelhados, carnes nobres, peixes, bacalhau, risotos e uma carta com cerca de 96 rótulos de vinhos produzidos na região.
Neste ano, o restaurante incorporou, ainda, um ingrediente típico ao prato mais procurado pelos clientes. “A gente está com uma inovação para o nosso fondue que é o uso do pinhão, uma iguaria que é nossa aqui da região. No nosso prato, a gente usa um blend de três tipos de queijo derretidos na panela, e daí ele vem para a mesa em cima de um rechaud”, revela Ronildo.
Com a alta demanda, a ampliação da equipe tornou-se necessária para garantir o atendimento aos visitantes. “No final de semana do Dia dos Namorados, por exemplo, a gente acabou até encerrando as reservas e deixou um percentual para atender no outro dia, porque muita gente chega sem reserva. E para não perder atendimento, tu tens que aumentar a equipe, com a demanda maior tem que aumentar”, conta o empresário.
A expectativa, segundo Ronildo, é encerrar a temporada de inverno com crescimento de 15% no faturamento.
Monte Verde registra ocupação máxima nos meses frios
Na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, o inverno representa o período de maior movimento para o setor de alimentação fora do lar. Na Bodega do Chicão, em Monte Verde, a ocupação da casa chega ao limite durante a estação. “É mais movimento e mais faturamento, porque a gente depende 100% do turismo. Então, nós trabalhamos junho, julho e agosto com 100% da casa lotada”, afirma a chef Maria Rosa.
Especializado em culinária italiana, o restaurante tem como destaque massas artesanais, além de pratos tradicionais da região. “Nosso foco são massas, rondele, raviolis... nós temos pizzas também, mas também trabalhamos com o forte de Monte Verde, que são o fondue e a truta, os pratos diferenciados da Serra da Mantiqueira”, conta a chef.
Entre os pratos mais procurados durante o inverno está uma receita criada pela própria empresária. “Nós temos um prato específico, que em Monte Verde quase ninguém faz, que é berinjela ao forno. É um prato que eu desenvolvi, a gente desidrata a berinjela e quando eu monto o prato ela volta a hidratar. Ela é servida bem quente, como se fosse uma lasanha sem a massa”, revela Maria Rosa.
Serra Catarinense aposta em gastronomia regional
Em Lages/SC, a temporada de inverno representa uma parcela significativa do faturamento anual da Trigalle Pizzaria e Restaurante. Segundo o proprietário e chef Andrigo Silva Pereira, cerca de 35% da receita do negócio é gerada durante os meses mais frios do ano.
De acordo com o empresário, o fluxo de clientes cresce aproximadamente 30% durante a estação, e a expectativa para a temporada de 2026 é de aumento de 20% no faturamento em relação ao ano anterior.
O restaurante aposta em pratos típicos da região, com destaque para receitas à base de pinhão, além de rodízios de sopas e cremes quentes. “Também sempre estamos inovando com pratos típicos e pizzas com chocolate quente”, revela Andrigo.
A ambientação também integra a estratégia da casa para receber turistas. “Nosso espaço é rústico, mas confortável, onde o cliente fica à vontade e consegue verificar as características da nossa região em nossa casa”, conta o empresário.
Para Andrigo, os visitantes demonstram interesse crescente pela culinária regional. “O turista busca conhecer a gastronomia regional. Ele gosta do simples, mas bem executado”, afirma.
Gastronomia se consolida como atração turística
Além de impulsionar a ocupação de hotéis e pousadas, o inverno fortalece bares e restaurantes que encontram na estação uma oportunidade de ampliar receitas e valorizar a identidade cultural de suas regiões.
Pratos quentes, ingredientes típicos, vinhos, ambientes acolhedores e experiências ligadas às tradições locais ajudam a transformar os estabelecimentos em atrações turísticas.
Nesse cenário, os restaurantes assumem papel cada vez mais relevante no turismo de inverno, contribuindo para movimentar a economia local e reforçar a identidade dos destinos brasileiros conhecidos pelo clima frio.



